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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
PEV quer apresentação do Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em Portugal
“Os Verdes” entregaram no Parlamento um Projeto de Resolução que recomenda ao Governo a apresentação do Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em Portugal.
Nos termos da Lei de Bases do Ambiente (LBA), o Governo fica obrigado a apresentar à Assembleia da República relatórios sobre o estado do ambiente e do ordenamento do território e livros brancos sobre o estado do ambiente em Portugal. O primeiro tem uma periodicidade anual e foca-se num âmbito e objetivos de curto prazo. O segundo tem uma periodicidade trianual e cabe-lhe, entre outros, o papel de fazer propostas de ação, de modo a que se consiga fazer a ponte entre o planeamento, a implementação, a monitorização e propostas sequenciais.
Ocorre que, desde a publicação da LBA, só foi publicado um livro branco sobre o estado do ambiente em Portugal, em 1991, quando deviam ter sido apresentados, nos termos da lei, 7!
Concerto MusiCórdia MMXIV - Palavras Divinas | No próximo domingo, dia 23.
Informamos que,no próximo domingo, dia 23, na Igreja da Misericórdia em Esposende, as sonoridades antigas e modernas cruzam-se num concerto que dá primazia à Palavra O Coro Ars Vocalis convida o público a elevar-se à transcendência da serenidade, num ambiente de concerti spirituali.
A MusiCórdia é um ciclo de sete concertos ecléticos que proporciona momentos de reflexão espiritual inspirados pela beleza da música. No próximo domingo, o Coro Ars Vocalis, sob a direcção de Helena Venda Lima, apresenta, pela interpretação musical e pela declamação de salmos e meditações, “Palavras Divinas”, aproximando o passado e o presente. O concerto inclui obras desde o início da escrita polifónica, passando por Couperin até Jonh Rutter.
MIGUEL GOMES - AURORA LIMA
O Coro de Pequenos Cantores de Esposende lança o seu primeiro disco, "Mudam-se os tempos"
Informamos que no próximo dia 21 pelas 21h30 no Auditório Municipal de Esposende, o Coro de Pequenos Cantores de Esposende lança o seu primeiro disco. "Mudam-se os tempos" resulta do trabalho notável que tem vindo a ser desenvolvido por este coro ao longo dos últimos 4 anos.
Sob direção de Helena Venda Lima e com acompanhamento ao piano e órgão de Diogo Zão e Ana Sousa, serão interpretados neste concerto extratos das obras que compõem este disco.
Fruto da encomenda por parte do CPCE aos compositores Fernando Lapa, Sérgio Azevedo e Osvaldo Fernandes estas obras representam o melhor da escrita musical.
MIGUEL GOMES - AURORA LIMA
RECITAL - VIOLINO E PIANO
No próximo sábado,
22 de Fevereiro pelas 18horas, no Fórum Rodrigues
Sampaio, em Esposende, será palco de um momento musical de
sonoridades ecléticas organizado pelo Núcleo de Intervenção
Cultural de Esposende (NICE).
As
violinistas Ana Rita Pires e Ana Madalena Ribeiro, acompanhadas pela
pianista Olga Vasilyeva, apresentam-se num recital de elevada
qualidade artística.
MIGUEL
GOMES - AURORA LIMA
Município de Esposende implementa programa de saúde oral para idosos
O Município de Esposende vai avançar com um programa de
saúde oral dirigido aos idosos do concelho.
No âmbito do programa “Envelhecimento Ativo 2014” e em
parceria com a Mundo a Sorrir - Associação de Médicos Dentistas Solidários
Portugueses, a Câmara Municipal vai implementar o programa “Sorrisos de Porta
em Porta”, direcionado para todos os idosos institucionalizados, que tem como
principal objetivo a sensibilização e a informação para a saúde oral do idoso
que, voluntariamente, queira adquirir informação e submeter-se a um rastreio
dentário a realizar na instituição, por dentistas da Associação. Além desta
vertente, o programa contempla ainda a realização de ações de formação destinadas
aos colaboradores das instituições sobre as boas práticas da saúde oral, de
modo a que possam manter informados e sensibilizados os seus utentes e se
mantenham alerta para os primeiros sinais que careçam de intervenção
especializada.
CANTINHO DOS LOBOS DO MAR - Uma “gaivota “ quase fisgada…
CANTINHO DOS LOBOS DO MAR
Uma “gaivota “ quase fisgada…
Carlos Barros
O
relógio da torre da Igreja matriz marcava
a partida das motoras para o mar: três horas da manhã.
Na travessa dos pescadores, está o acostumado alvoroço
nas casas, com os preparativos para a
faina da pesca, mulheres arranjando a “marmita”- Baú- do almoço, com a
garrafinha da vinhaça dentro de uma saca de pano xadrez, feita pela costureira
Jandirinha, na sua novinha máquina de costura Oliva, de cor esverdeada, anunciando
esperança para uma boa pescaria.
O Saganito já vai à frente em direção ao cais,
onde a motora o espera, com a restante tripulação já a calcar a relva da
ribeira e a “enxotar” a orvalhada que se colava nas ervas e juncos.
Mais atrasado
o Luisinho - Luis André Eiras- com as suas galochas esverdeadas e o seu casacão
de xadrez, acelerava o passo na direção à motora Torrão da Berta Bichesa. O Zé
Pereira dos Passos, mais conhecido por
“Zé Tolo” já se encontrava dentro da motora esfregando os olhos “arremelados”, expulsando o sono que teimava atormentá-lo.
O Luisinho, que abandonou a escola aos oito
anos, era um pescador experimentado, tendo sido tripulante de várias motoras e
catraias -Santa Maria dos Anjos, catraia Senhora da Saúde, Rainha dos Anjos,
Claúdia Cristina, Senhora do Triunfo, 1º de Abril, Chiquinha e da motora Marco Filipe do senhor José Nibra. Começou a
andar ao mar aos onze anos, ainda uma criança, em que as exigências da vida, lhe tirou o direito de brincar, como a muitos
outros rapazinhos.
O mestre Luisinho, completou cinquenta e cinco
anos de árduo trabalho no mar, sempre com a barra a ameaçar tragédia…
O Luisinho pescador arguto e corajoso, na
motora Torrão, ia sempre na casa do leme
e era homem de confiança de toda a tripulação. Já tinha vivido uma situação
trágica, num naufrágio com uma catraia- O Temerário-, à entrada da barra,
embarcação do Sebastião, pai do senhor Belemino Ribeiro. Nesse triste dia, o
Lázaro, o Bocage, foi engolido pelas mortíferas ondas do mar, morrendo afogado. Nesse mesmo dia, em terra,
o Café Copacabana, de um vilaverdende, foi devorado pelas chamas, apesar da
pronta e corajosa atuação dos Bombeiros
Voluntários de Esposende, comandados pelo João Conde Evangelista. Uma triste e
lamentável coincidência em que a tragédia e a tristeza estiveram de braços
dados…
O Torrão
partiu do paredão em direção ao mar, com a tripulação ocupada nos derradeiros arranjos das redes e linhas de pesca, com o Zé
dos Passos já arrebitado, tirando alguma água da motora, com o “vertedouro”. Chegados ao destino, toda a tripulação largou as redes, com o
Luisinho direcionando a proa da motora
para leste onde a “sonda rudimentar” indicava uns cardumes de peixes.
No regresso, depois de umas horas de trabalho
a largar as redes o Candinho, mais conhecido no seio da classe piscatória por “gaivota” andou sempre a “pegar” com o
Zé, fustigando-o com ameaças,
arreliando-o durante a viagem.
O
Luisinho, homem pacato e de “bons modos”
tinha avisado o Candinho para “acabar com aquilo”, avisando-o para deixar o “homem em paz”. O
Candinho, sempre irreverente continuou a
arreliar o “peguinha, voa a voa”, perante o desespero do Luisinho e
este, não está com “meias medidas”, pega no bicheiro para fisgar o Candinho
mas, este num gesto rápido e intuitivo, desviou-se e o fisgado foi o Zé no
ombro direito.
Ai que eu morro, gritava o Zé aflito com os
anzóis cravados na “grossa roupa” que o
protegia!...
O
Luisinho deixou o galheiro e tirou os
anzóis, enforcados no casacão do Zé que, por felicidade, não tinha sido
atingido no ombro contudo, continuava a gritar dizendo que estava “aleijado” e que queria ir “p´ró hospital!…
O Candinho,
colocou-se na proa do Torrão e nunca mais “abriu o bico” até chegar ao cais,
com receio que o Luisinho mandasse outra “bicheirada “, esta mais acertada…
O falecido
Ilhoca, na poupa, observando as gaivotas que seguiam a motora, ria-se “a perder”
perante o desesperado Zé que só olhava
para o ombro “gravemente” atingido…
“Ai que eu
morro, minha mãezinha acuda-me”, continuava o Zé a gritar, mirando o ombro.
O Zé continuou com a gritaria, protestando
contra o Luisinho e só se calou quando no cais, o Ilhoca lhe tirou a roupa e
viu que o ombro estava “sãozinho” como uma cereja…
Entretanto, a motora Torrão foi ancorada e presa pelos cabos no cais e o
Zé, com o baú na mão, lá se dirigiu para a rua de S. João onde o esperava a sua
mãe, a tia Adelaide já com o “caldo” na mesa e umas fanecas fritas a acompanhar
uns parcos grãos de arroz carolino, comprado na mercearia do Abílio Coutinho.
A noite invadiu
o bairro de S. João e todos os pescadores recolheram às suas camas, acomodados
aos “colchões de palha”, de vez em quando, acordados pelo despertar de algumas
pulgas que se preparavam para “almoçar”,
atacando e pele áspera e dura, dos nossos “heróis” pescadores que
raramente acordavam, tal era o cansaço de tanto trabalhar contra as intempestivas águas do mar.
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