terça-feira, 10 de março de 2026

Esposende “Março com Sabores do Mar” com dia dedicado ao mundo das Algas



A programação do “Março com Sabores do Mar” continua com um dia inteiramente dedicado às algas marinhas, destacando a sua riqueza cultural, científica, artística e gastronómica. As atividades decorrem no Museu do Sargaço, em Apúlia, entre 14 e 31 de março.
A exposição “Projeto Sargassum”, da artista visual plástica Eunice Pais, estará patente no Museu do Sargaço, de 14 a 31 de março. Através da fotografia e de instalações artísticas, Eunice Pais explora a relação entre a natureza e o corpo. O projeto “Sargassum” mistura documentário e ficção, reimaginando as ligações ecológicas e refletindo sobre a evolução da relação entre humanos e natureza.
No dia 14 de março, entre as 10h00 e as 12h00, realiza-se o encontro científico “Sargassum: Ciência, Arte e Gastronomia”, que adota uma abordagem transdisciplinar ao sargaço, reunindo ciência, arte e gastronomia. O evento contará com a participação de Eunice Pais, Marta Duarte, Leonel Pereira e Elina Stolde, que irão explorar o potencial gastronómico, científico, medicinal e cultural do sargaço.
Marta Duarte é bióloga e doutoranda em Engenharia Biomédica, com investigação focada na descelularização de tecidos e na aplicação de polissacarídeos marinhos na cicatrização e regeneração de feridas. Eunice Pais, artista multidisciplinar, trabalha com fotografia, vídeo, escultura e cerâmica, dedicando-se desde 2025 ao projeto Sargassum, que explora a ligação agro-marítima em Apúlia e o papel simbólico das algas marinhas.
Leonel Pereira, biólogo e professor associado na Universidade de Coimbra, é especialista em biodiversidade e biotecnologia marinha, coordenando a algoteca da Universidade de Coimbra e desenvolvendo investigação sobre algas, compostos bioativos e ecologia marinha. Elina Stolde, musicista e etnomusicóloga, é fundadora do laboratório colaborativo Gata da Mata, promovendo a utilização culinária de plantas espontâneas, incluindo algas, através de workshops e oficinas de cozinha selvagem, vegana e sustentável.
O encontro constitui uma oportunidade única para compreender o sargaço de forma integrada, mostrando como este recurso natural se conecta com ciência, arte e gastronomia, e reforçando o papel do Museu do Sargaço como polo de reflexão e partilha de conhecimento sobre o património natural e cultural da região.
Ainda no dia 14, entre as 14h00 e as 16h00, realiza-se a visita cultural “Paisagens do Sargaço”, com início no Museu do Sargaço. Esta atividade permite explorar as relações do sargaço com o mar e a terra, assim como as paisagens humanizadas resultantes da presença deste recurso ao longo do tempo.
À tarde, das 16h00 às 17h30, a Elina Stolde, através do projeto Gata da Mata Wildfood, promove o workshop “Algas Comestíveis”, com introdução ao mundo das algas, ecossistemas e boas práticas de colheita. A atividade inclui uma visita guiada à praia de Apúlia para recolha de algas e termina no Museu do Sargaço com degustação de produtos e petiscos preparados com algas.
As atividades são gratuitas, mas sujeitas a inscrição prévia e com vagas limitadas, através do e-mail museu.esposende@cm-esposende.pt.
O Museu do Sargaço promove investigação, conservação e divulgação, fomentando experiências educativas, culturais e artísticas, e envolvendo a comunidade na reflexão sobre a relação entre a natureza e a sociedade.


De referir que as algas marinhas crescem entre o mar e a terra e representam um recurso versátil, abundante e sustentável, utilizado pela humanidade desde tempos imemoriais. Em Portugal, eram usadas para adubar campos agrícolas nas regiões do litoral, enquanto em países como Japão, China e Coreia continuam a ser apreciadas como iguarias nutritivas. A costa do Noroeste Peninsular alberga verdadeiras hortas de algas comestíveis, que se destacam pelo seu valor gastronómico, medicinal e potencial em áreas como bioplásticos, fertilizantes e biocombustíveis.