História real na Guiné
1972/1974
O 3º Grupo de Combate
de Nova Sintra, era constituído por militares que tinham experiência no combate
nas matas da Guiné e alguns dos militares, como o furriel Barros, iam à
caça com uma arma de pressão comprada ao furriel Saraiva .
Um dia, pela manhã, foram todos para junto de
um regato com alguma água, onde as aves, especialmente rolas, iam beber e o
Barros encontrou uma rã, muito verdinha e disse para um dos seus soldados do
grupo:
-Vamos levar a rã para o quartel?
Pegaram numa latinhaque
era da fruta, encheram-na de água e levaram a rã para a caserna, ficando dentro
de um “bidon”, cortado com um maçarico, pelo cabo Dias dos condutores e todos os dias
apanhavam-se formigas e outros insectos para alimentar a rã.
Este animal anfíbio
viveu feliz durante muito tempo no “aquário” improvisado mas, penso eu, a
solidão mudou-lhe o destino!...
A rã estava sempre
atenta às cegonhas que, como sabem, comem rãs e a nossa amiguinha estava sempre
atenta a olhar para o céu…
A rã ainda esteve
alguns meses dentro da sua “casinha”, que cheirava a gasolina e desfrutava de
pouca comodidade.
Umdia, com o capim a
entoar o seu seco musical, a rã tinha desaparecido e todos nós ficamos tristes
porque tínhamos perdido uma amiguinha que decidiu optar pelo caminho da
liberdade que nós militares, nunca tivemos e só o conseguimos com o 25 de
Abril de 1974.
Se fosse rã, faria
o mesmo…
Nova Sintra - 1974
Pescador de Histórias
"Bóias”
Carlos Manuel de Lima
Barros
Ex-furriel Miliciano
(24 meses e 48 dias
de Guiné)
