quinta-feira, 16 de abril de 2026

A rã…

 
História real na Guiné

        1972/1974 

O 3º Grupo de Combate de Nova Sintra, era constituído por militares que tinham experiência no combate nas matas da Guiné e alguns dos militares,  como o furriel Barros,  iam  à caça com uma arma de pressão comprada ao furriel Saraiva .

Um dia, pela manhã, foram todos para junto de um regato com alguma água, onde as aves, especialmente rolas, iam beber e o Barros encontrou uma rã, muito verdinha e disse para um dos seus soldados do grupo:

-Vamos levar a rã para o quartel?

Pegaram numa latinhaque era da fruta, encheram-na de água e levaram a rã para a caserna, ficando dentro de um “bidon”, cortado com um maçarico,  pelo cabo Dias dos condutores e todos os dias apanhavam-se formigas e outros insectos para alimentar a rã.

Este animal anfíbio viveu feliz durante muito tempo no “aquário” improvisado mas, penso eu, a solidão mudou-lhe o destino!...

A rã estava sempre atenta às cegonhas que, como sabem, comem rãs e a nossa amiguinha estava sempre atenta a olhar para o céu…

A rã ainda esteve alguns meses dentro da sua “casinha”, que cheirava a gasolina e desfrutava de pouca comodidade.

Umdia, com o capim a entoar o seu seco musical, a rã tinha desaparecido e todos nós ficamos tristes porque tínhamos perdido uma amiguinha que decidiu optar pelo caminho da liberdade que nós militares, nunca tivemos e só o conseguimos com o 25 de Abril de 1974.

Se fosse rã, faria o mesmo…

 

Nova Sintra - 1974

Pescador de Histórias

            "Bóias”

 

Carlos Manuel de Lima Barros

Ex-furriel Miliciano

(24 meses e 48 dias de Guiné)