sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Esposende acolheu 5.º Congresso Intermunicipal sobre Proteção de Crianças e Jovens



Iniciativa reuniu profissionais, especialistas e responsáveis institucionais para refletir sobre os desafios atuais da infância e a necessidade de adaptar os sistemas de proteção.


Esposende acolheu, durante dois dias, no Hotel Axis Ofir, o 5.º Congresso Intermunicipal sobre Proteção de Crianças e Jovens, sob o tema “Infâncias que pedem tempo, sistemas que pedem mudança”.
Promovido conjuntamente pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e pelos Municípios de Esposende, Barcelos, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde, o congresso reuniu profissionais, especialistas e responsáveis institucionais para dois dias de reflexão e partilha de conhecimento sobre os desafios que marcam atualmente a infância e a juventude.
Com o auditório preenchido, a sessão de abertura contou com a participação da Presidente da Comissão Nacional para os Direitos das Crianças e Jovens, Ana Isabel Valente, da Presidente da CPCJ de Esposende, Isabel Abreu e dos responsáveis autárquicos dos quatro municípios envolvidos na organização: o Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Carlos Silva, e os vereadores Paulo Matias, de Barcelos, Augusto Lima, de Vila Nova de Famalicão, e Manuel Oliveira Lopes, de Vila Verde.
Estiveram, também, presentes as presidentes das CPCJ dos quatro concelhos, num momento que evidenciou a importância do trabalho em rede e da cooperação entre municípios, instituições e profissionais que intervêm na promoção dos direitos e na proteção das crianças e jovens.
O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Carlos Silva, destacou a importância da cooperação intermunicipal e do trabalho conjunto na resposta aos novos desafios da infância e juventude.
“Este congresso demonstra a importância de trabalharmos em conjunto para responder aos novos desafios da infância e da juventude. A cooperação entre municípios, instituições e profissionais permite reforçar a capacidade de intervenção e colocar os direitos das crianças no centro das nossas prioridades. Em Esposende, assumimos este compromisso com determinação, procurando garantir que todas as crianças e jovens possam crescer num ambiente seguro, saudável e promotor do seu desenvolvimento.”
Na sessão de abertura, foi destacada a necessidade de adaptar as respostas de proteção às transformações que atravessam a infância e a juventude. As novas formas de violência, os desafios associados ao mundo digital, a exposição aos ecrãs e as questões relacionadas com a saúde mental foram apontados como realidades que exigem respostas cada vez mais articuladas e qualificadas.
“Vivemos num tempo em que as infâncias se transformam mais depressa do que os sistemas formais e institucionais conseguem acompanhar”, foi salientado, sublinhando a necessidade de uma maior capacidade de adaptação por parte das estruturas de proteção.
A Presidente da CPCJ de Esposende, Isabel Abreu, destacou, também, as exigências crescentes colocadas às famílias, às comunidades e às escolas, bem como a diversidade de situações com que os profissionais se confrontam diariamente.
“As crianças pedem tempo, tempo para crescer, para serem vistas, para serem compreendidas. Os sistemas, por sua vez, pedem mudanças”, afirmou Isabel Abreu, defendendo uma evolução das formas de avaliação e intervenção e um reforço da articulação entre os diferentes participantes.
A sessão de abertura contou, ainda, com um momento cultural protagonizado pela Boca de Cena – Companhia de Teatro Infantojuvenil de Esposende, que apresentou um trecho do espetáculo “Godot chegou, então, ouvem-se os gorjeios”.
Tendo como cenário o Parque Natural do Litoral Norte, esta encenação constituiu um momento de reflexão sobre os tempos e os espaços da infância e da juventude na sociedade atual, estabelecendo uma ligação entre a expressão artística, a infância e o território de Esposende.
Ao longo do congresso, foram abordadas diferentes temáticas relacionadas com a ética da infância, a saúde mental, o trauma e a resiliência, as novas formas de violência e vulnerabilidade infantil, a delinquência juvenil, os impactos dos ambientes digitais e da inteligência artificial no desenvolvimento infantojuvenil, bem como a neurodiversidade e a inclusão. O programa deu, ainda, especial destaque à avaliação e intervenção nos contextos familiar, escolar e comunitário, explorando estratégias de apoio à parentalidade, gestão de situações de risco, acolhimento de crianças imigrantes, e práticas educativas inclusivas.
O programa incluiu, ainda, vários momentos de conferência e debate, procurando promover uma reflexão aprofundada sobre as transformações que atravessam a infância e a juventude e sobre a capacidade dos sistemas de proteção para acompanhar essas mudanças.
A iniciativa pretende, assim, reforçar a prevenção, a intervenção e a cooperação entre as diferentes entidades, promovendo respostas mais integradas e centradas nos direitos e no bem-estar das crianças e dos jovens.
A realização da quinta edição do Congresso Intermunicipal sobre Proteção de Crianças e Jovens reafirma o compromisso de Esposende, Barcelos, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde, e das respetivas CPCJ, com o trabalho conjunto nesta área.









Prevê-se que a parceria intermunicipal tenha continuidade em 2028, com a realização da 6.ª edição do Congresso Intermunicipal sobre Proteção de Crianças e Jovens, em Vila Nova de Famalicão.