ESPOSENDE E O SEU CONCELHO


Luís Eiras

Imagem/Edição: Luís Eiras, Esposende Altruísta http://esposendealtruista.blogspot.com.br/

sábado, 20 de dezembro de 2014

Município de Esposende

 Esposende adere à Rede Portuguesa

de Cidades Inteligentes

O Município de Esposende aderiu à RENER Living Lab – Rede Portuguesa de Cidades Inteligentes. A proposta de adesão foi aprovada, por unanimidade, na reunião do Comité Estratégico deste organismo, certificando que Esposende possui uma estratégia municipal para uma Cidade Inteligente e políticas setoriais nas áreas das “smart cities”.

Rio Neiva

 A Associação Rio Neiva deseja-lhe Votos
de Boas Festas e de um Próspero Ano de 2015


 Rio Neiva
Associação de Defesa do Ambiente
Antas - Esposende
facebook Associação Rio Neiva - ADA


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

GATERC

"Paris com vista para o mar."

Imagem/Edição: Luís Eiras, Esposende Altruísta http://esposendealtruista.blogspot.com.br

“O meu Natal é Ecológico”

Município de Esposende promove
mais uma edição da iniciativa
“O meu Natal é Ecológico”
Até ao dia 6 de janeiro decorre mais uma edição da iniciativa “O meu Natal é Ecológico”, organizada pela Esposende Ambiente, em colaboração com a Câmara Municipal de Esposende.

Desta forma, está patente, no Largo D. Sebastião, junto ao Tribunal de Esposende, uma exposição composta por 22 velas natalícias, produzidas por estabelecimentos de educação e ensino e instituições concelhias, com a participação de crianças, jovens, idosos e outros utentes das diversas entidades envolvidas.

Loja Social de Esposende

 Empresários BNI Zende
fazem doação de bens à Loja Social de Esposende
Um grupo de empresários de Esposende e concelhos vizinhos, que constitui o BNI Zende, doou bens alimentares e vestuário, num total de quase meio milhar de unidades, à Loja Social de Esposende.

Envelhecimento Ativo 2014

Programa Envelhecimento Ativo
encerrou com Espetáculo de Natal
A encerrar as atividades do programa Envelhecimento Ativo 2014, decorreu, na tarde de ontem, 17 de dezembro, no Auditório Municipal de Esposende, um Espetáculo de Natal, mais concretamente um espetáculo de magia, que contou com uma vasta plateia de idosos e crianças, constituindo mais uma oportunidade para o fomento de um convívio intergeracional.

Boas Festas


MENSAGENS POPULARES

VDJ

Leia a VOZ DESPORTIVA DO JANDIRINHA. http://concelhodeesposende.blogspot.com.br/p/voz-desportiva-do-jandirinha.html

CANTINHO DOS LOBOS DO MAR

por Carlos Barros

Os figos voadores…

Tinha começado o ano escolar na Escola Primária de Esposende, no ano de mil novecentos e cinquenta e nove, e a criançada deixara, com custo, a ribeira, preparando o escasso material escolar, para o colocar na pasta, bolsa de linhagem ou de ganga roçada, feita de algumas calças velhas, já rotas…

Do sul, partiram os “nómadas” à solta comandados pelo Tone Paquete, Dimas, Milo, Quim Travassos, em direcção à escola. Alguns com a lousa partida e meio “ferrão”, debaixo do braço, com dois livros esfarrapados emprestados pelos meninos “fidalgos”, os alunos lá partiram, desanimados, para as salas de aula da Escola Primária, onde os Professores, Carlos Martins, Agostinho, D. Loca, Miquinhas Beirão e D. Isolina, os esperavam, em turmas de trinta e cinco a quarenta alunos.

No dia anterior, um grupo de ribeirenses tinham ido ao Zão, assaltar as uvas “col. de galo” sob o comando do Tarrio e do Carlos Bicho que andava à caça às “flauzinhas” com uma afunga feita pelo Melrinho.

As aulas decorreram ao longo do ano, com muitas peripécias, aventuras, brincadeiras, corridas, jogos, fugas à escola, assaltos aos pomares, guerras norte-sul, sessões de pancadaria e outros desmandos, próprios das crianças da ribeira que, apesar de tudo, raramente se zangavam mas a rivalidade entre as “zonas de influência” eternizaram-se ao longo dos anos.

O final do ano estava a chegar e o Paulo Beirão, no último dia de aulas, entrou na sala e deu um presente ao professor Agostinho, por sinal, seu tio, precisamente uma cesta de figos deliciosos, comprados no António do Sul, perante os olhares dos outros amigos que nada tinham para dar a não ser irreverência….

O Tone Paquete em plena aula, esfomeado, não tirava os olhos dos figos e disse para o Inês de Góios, seu colega da turma:

-Inês, ao intervalo aqueles figos vão levar “arda”…

O que estás a dizer Tone, o professor se descobre mata-te desabafou o Inês inquietado.

Na hora do intervalo, o Tone Paquete atrasou-se e deixou todos irem ao recreio e enfiou-se, sorrateiramente, na sala de aula com o Inês e encheram os bolsos de figos e foram para o quarto de banho comê-los apressadamente, porque não podia ficar nenhum no bolso, caso contrário, uma revista na sala seria a “morte do artista”…

O professor Agostinho entrou na sala e logo a seguir a restante “cambada”, e quando olhou para a ceira e viu que os figos tinham desaparecido, ficou doido!

Quem comeu os meus figos, perguntou furiosamente o professor!

Quem foi “o rato” que veio aqui?

Inês, vai depressa chamar a D. Hortênsia para me trazer a santa luzia (palmatória) que hoje vamos ter “molho”…

A empregada deixou a Cantina escolar e veio falar com o professor Agostinho que lhe perguntou se tinha visto algum aluno entrar na sala de aula.

Senhor professor, não vi nada porque estava com a Júlia a preparar o almoço, e a distribuir o pão amarelo pelas mesas, a arrumar o “leite em pó” e o queijo na dispensa.

O silêncio na sala era absoluto com o Tone Paquete e o Inês a tremerem como “varas verdes”…

O professor mandou pôr todos os alunos em fila e começou a revistá-los, um a um, com tom ameaçador e de cana ao alto…

O Tone aproximou-se do ouvido do Inês, e disse baixinho:

- Se o professor cheirar as nossas bocas estamos desgraçados e não nos “safamos”…

Apesar dos esforços do professor, nenhum aluno foi incriminado, e a dupla Tone Paquete- Inês passou incólume perante a justiça escolar, mas com muita sorte…

O professor, olhando desalentado para a ceira dos poucos figos que restaram, recomeçou a aula, e deslocou-se para o estrado para “passar” duas contas de dividir com dois algarismos, dando, na passada, uma canada ao Tone que se estava a rir, mal o professor sabia que era por causa dos figos….

Mal acabou a aula, os dois “mariolas” fugiram para a ribeira porque estavam apertadinhos e com dor na barriga, evitando os quartos de banho da escola, não fosse o professor descobrir pelo cheiro, o rasto dos figos…

No meio das silvas, no meio da ribeira, e com amoras a “sorrirem” para eles, lá “descarregaram” a diarreia, aliviando um pouco a dor de barriga que se prolongou pela noite fora…

O Tone da Paquete que residia numa simples e humilde casa, perto da antiga cadeia, entrou esvoaçado pela esburacada porta de entrada, tropeçando no Dimas enquanto que a Cinda estava junto às “trempes” a aquecer o caldo para o Senhor João, tio do Tone, e a fritar umas fanecas.

Mãe, hoje não quero comer, pediu o Tone com ar enjoado, olhando de lado para o Dimas e a Cinda que estavam desconfiados.

Na habitação não havia luz, apenas uns candeeiros a petróleo iluminavam aquele espaço habitacional, sem o mínimo de conforto.

Tone, pediu a sua mãe, então pega nestas cinco croas e vai ao António do Sul comprar uns figuinhos para comeres pois, o teu tio João teve uma boa maré..

O quê mãe, não me fale em figos, nem quero vê-los, agarrando, com a mão direita, a barriga que continuava a doer…

A tia Laura, mandou o Dimas à mercearia do António do Sul e numa louca correria, lá trouxe meio quilo de figos num “cartucho” de riscas vermelhas verticais e depois de estendidos numa mesa antiga, foram comidos com um pouco de broa, comprada na Rosália da Lucas, junto aos antigos Bombeiros, em frente do Senhor dos Aflitos.

O Tone foi dormir na cama de ferro, de colchão de colmo, com o pijama “cuecas ao léu”, estando a seu lado o Dimas que continuava embaralhado com a história dos figos.

Irmão, quero dormir mas, não quero sonhar com figos, muito menos com o maldito Paulo Beirão, confessou o Tone, fechando os olhos na esperança de acordar sem dores de barriga…



CURIOSIDADES

A raia tem sido um dos peixes mais pescados, desde o tempo da minha infância, pelos nossos pescadores de Esposende, sendo utilizadas “rascas” , redes de malha larga e que eram postas em grandes caldeirões com água a ferver e com cascas de sobreiros para endurecer o fio e as cordas. A tia Chora, minha vizinha, da ex- Rua General Roçadas nº 3, atualmente rua Arq. Ventura Terra cozias as rascas no seu quintal num grande caldeirão aquecido com lenha das bouças e algumas pinhas.

Nas décadas de sessenta e setenta as peixeiras faziam as raias e a “miudagem” apanhava os fígados e outras vísceras para pescar à “chuncalhada” aos irões-enguias- na rampa do cais norte, em especial e, algumas vezes na do sul mas, aqui as lavadeiras ocupavam sempre a rampa e os ensejos em pescar eram escassos.


“Pescador de histórias”