quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Esposende tinha duas almas: a do sul, que era piscatória, e a do norte, que era banhista."


 "Esposende tinha duas almas: a do sul, que era piscatória, e a do norte, que era banhista. Uma era feita de gente natural e misteriosa, com dramas e alegrias rápidas, como se um vento cínico e audaz, vindo de muito longe, talhasse a sua história. A alma do sul já existia quando o reizinho D. Sebastião jogava às laranjas com os seus cortesãos – e as comia. Porque o príncipe era guloso; em apetites de mesa e arrancadas de estribo perdeu a vida, e nós a independência e a lei dela. O que lá vai, lá vai! Quando eu fui pela primeira vez a Esposende, achei que sucedia alguma coisa de solene; como um rito. Era em Julho. Nas noites em que o calor abrasava, vinha do rio um hálito de vasa. Como se o princípio do mundo rompesse o cristal das areias e borbulhasse uma vida espessa e cega, no lodo. A motora do peixe descia pela corrente, os homens iam calados. Via-se o casco na linha da água, como uma faca abrindo a pele da noite. Os cães ladravam. A alma do sul estava acordada. Desde tempos muito antigos ela tinha aquele pacto com o mar sobrevivia nos seus flancos, paciente, lentamente, ajustada à magra colheita de peixe e sargaço. A alma do norte floresceu um dia, construiu nos pinhais um chalé branco, pôs-lhe um azulejo azul, botou patamar e alpendre à moda de mestre Raul Lino. Plantaram-se tamarizes na avenida; alguma dama do seu mirante aprendia piano com uma senhora do Porto, e tinha um chapéu com cerejas maduras. Distinguia-se; a sua gola de valencianas ficava cheia de grãos de areia quando ela saía à rua. Os banhistas eram gente de Braga e de Barcelos, de gostos moderados, clericais, fechados. (...) A alma do sul despertava com as primeiras roçadoras de caruma, tingidas de nevoeiro. Vinham em passo trotado, entravam nas bouças, e a geada quebrava sob seus pés. (...)

Augustina Bessa-Luís, in Vila e Concelho de Esposende - IV Centenário 1572-1972. Memória de Esposende

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Intervalo - Frases

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." (Guimarães Rosa)

Programa do Dia da Cidade e do Município de Esposende


O Presidente da Câmara Municipal de Esposende convida a população para as Cerimónias do Dia da Cidade e do Município, que se realizarão amanhã, dia 19 de Agosto, de acordo com o seguinte programa:
9h15 — Hastear das Bandeiras (Praça do Município)
10h00 — Missa Solene (Igreja Matriz)
11h00 — Sessão Solene (Salão Nobre da Câmara Municipal)

Entrega da Medalha de Mérito Municipal a:
José Pedro Ferreira Martins Torres, Pedro António Silva de Sousa e Paulo Alexandre Fernandes Lachado (a título póstumo)

Padre Jaime Manuel da Silva Cepa Machado
Padre Manuel Casado Neiva
António do Casal Martins
António Martins de Oliveira
Delegação de Esposende da Cruz Vermelha Portuguesa
Entrega da Medalha de Mérito Desportivo a:
Grupo Cultural, Desportivo e Recreativo de Gemeses

22h00 — Concerto com José Cid & Big Band (Largo dos Bombeiros)
23h45 — Sessão de Fogo–de–artifício (Zona Ribeirinha)

Concerto de José Cid & Big Band no Dia da Cidade e do Município de Esposende



19 de Agosto, 22h00 – Largo dos Bombeiros

O Dia da Cidade e do Município de Esposende, que se comemora amanhã, 19 de Agosto, vai ficar marcado pela actuação de José Cid & e Big Bang. O concerto tem entrada gratuita e vai decorrer a partir das 22h00, no Largo dos Bombeiros, em Esposende, encerrando com uma sessão de fogo-de-artifício, na Zona Ribeirinha.
Quase dispensa apresentações o interprete da “Lenda de El-Rei D. Sebastião”. José Cid iniciou a sua carreira em 1956 com a fundação de Os Babies, agrupamento musical especializado na interpretação de músicas de outras bandas.
No ano de 1960, criou em Coimbra o Conjunto Orfeão, acompanhado por José Niza, Proença de Carvalho e Rui Ressurreição. A fama chegou-lhe inicialmente através da sua participação como teclista e vocalista no conjunto Quarteto 1111. No ano de 1971, José Cid lançou o seu primeiro disco a solo concorrendo ao Festival da Canção RTP com “Uma Rosa Que Te Dei”. “Na cabana junto à praia”, “Um grande, grande amor”, e muitos outros temas valeram-lhe o reconhecimento do público e o regresso em grande às grandes catedrais da música.
O ano de 2006 marca o regresso de José Cid em força ao meio mediático, com dois concertos esgotados no Maxime. Edita o disco “Baladas da Minha Vida”, em que são regravadas as baladas de maior sucesso da sua carreira, de forma acústica e sem recurso a computadores. Seguem-se concertos por todo o país (incluindo dias presenças no Casino de Lisboa e no final de ano na Praça do Comércio para 40.000 pessoas). De então para cá, multiplicam-se os concertos e as presenças em programas televisivos e gravou dois novos discos: “Pop, Rock e Vice-Versa” (2007) e “Coisas do Amor e do Mar” (2009).