José Carlos de Vasconcelos é o vencedor da 3.ª edição, segunda série, do Prémio Rodrigues Sampaio, atribuído pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP), com o patrocínio do Município de Esposende.
“Nunca é tarde para não ter medo”, lembra José Carlos de Vasconcelos, a propósito da distinção que reconhece o seu percurso enquanto jornalista, poeta e advogado e a sua intervenção na defesa das liberdades e dos valores democráticos.
O júri, que deliberou por unanimidade, destaca o percurso do homenageado, que “desde os tempos de estudante em Coimbra até hoje, sempre tem pautado a sua intervenção pela defesa das liberdades”, bem como pela promoção “da nossa literatura como elo fraterno entre a ampla comunidade falante da Língua Portuguesa”.
Na deliberação, o júri sublinha ainda o seu contributo para a defesa de uma sociedade democrática, “nos dias sombrios de outrora e nos dias sombrios que correm”. “Nunca é tarde para não ter medo, sem dúvida. E José Carlos Vasconcelos faz tudo isso, não raro, a ‘brandir o poema/ florete de ternura’”, pode ler-se.
Na edição de 2026, o júri do Prémio Rodrigues Sampaio foi constituído por Francisco Duarte Mangas, Francisco Brás Marques, Inês Cardoso, Luísa Leite e Valdemar Cruz.
José Carlos de Vasconcelos nasceu em 1940, em Freamunde. Jornalista, poeta e advogado, foi destacado dirigente estudantil em Coimbra, ator e membro do conselho artístico do TEUC. Enquanto advogado, foi defensor de presos políticos no Tribunal Plenário, bem como de escritores, artistas e jornalistas acusados, sobretudo, de “abuso de liberdade de imprensa”.
No jornalismo, destacou-se como diretor do Jornal de Letras, cargo que exerceu desde o primeiro número da publicação até ao seu recente encerramento. Ao longo de décadas, afirmou-se também como uma presença relevante na promoção da literatura e da cultura portuguesas.
Na poesia, José Carlos de Vasconcelos mantém um percurso discreto, mas reconhecido, tendo publicado, entre outras obras, Repórter do Coração, Caçador de Pirilampos, O Sol das Palavras e De Poema em Riste. Esta última obra, publicada antes do 25 de Abril, foi recentemente reeditada na coleção Memória Perecível, da AJHLP.
Em 2026, publicou ainda Os Sete Sentidos e Outros Lugares, reforçando um percurso literário marcado pela poesia e pela intervenção cívica.
Com um valor monetário de 7.500 euros, o Prémio Rodrigues Sampaio distingue, de dois em dois anos, uma personalidade da cultura portuguesa que, ao longo do seu percurso, tenha praticado e defendido os valores da liberdade e da cidadania, entendidos como instrumentos de aproximação entre as pessoas e de construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.
O galardão, com o nome do jornalista e político António Rodrigues Sampaio, patrono da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, foi instituído nos anos 50 do século XX, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Nas primeiras edições, distinguiu, entre outros, Joel Serrão, José Manuel Tengarrinha, Victor de Sá, Óscar Lopes, Vasco Graça Moura e Hélder Pacheco.
Na década de 80, por falta de apoios, o prémio foi suspenso. Em 2022, foi retomado por iniciativa da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, com o patrocínio do Município de Esposende, terra natal de António Rodrigues Sampaio.
Nas duas edições anteriores da segunda série do Prémio Rodrigues Sampaio foram distinguidos o historiador António Borges Coelho, em 2022, e a escritora e jornalista Maria Teresa Horta, em 2024.
A atribuição do prémio a José Carlos de Vasconcelos dá, assim, continuidade a uma distinção que procura reconhecer personalidades da cultura portuguesa cujo percurso se encontre associado à defesa da liberdade, da cidadania, da cultura e dos valores democráticos.
