ESPOSENDE E O SEU CONCELHO


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Restaurante Camelo de Apúlia vence "Março com Sabores do Mar" 2010

“Robalo com Algas e Ouriços-do-mar”, do Restaurante “Camelo”, de Apúlia, foi o prato vencedor do Concurso Gastronómico “Março com Sabores do Mar”, que arrecadou também uma Menção Honrosa pelo factor “Inovação”.
O 2.º lugar pertenceu ao Restaurante “Moinho de Vento”, de Apúlia, que concorreu com “Sargo em Crosta de Sal” e o 3.º classificado foi o Restaurante “Água-pé”, da cidade de Esposende, que apresentou a concurso “Tranches de Peixe Porco com Algas e grelos”, tendo sido distinguido também com a Menção Honrosa pelo “Ambiente” e “Relação Preço/Qualidade”.
A entrega dos prémios e de diplomas de participação e lembranças decorreu, ontem à tarde, no Auditório Municipal de Esposende, numa cerimónia que incluiu também um desfile de fardamentos de cozinha pelos alunos da Escola Profissional de Esposende.
Nesta oitava edição do Concurso Gastronómico “Março com Sabores do Mar”, o Júri, presidido pelo Chefe Silva e constituído por Albino Penteado Neiva e João Leite Gomes, da Confraria de Gastrónomos do Minho, e pelos Chefes José Alexandre e António Alexandre, decidiu atribuir o Diploma de Mérito e Qualidade a restaurantes cuja qualidade gastronómica é de salientar.
Assim, o Restaurante “Rita Fangueira” recebeu o Diploma de Mérito e Qualidade, o Restaurante “Foz do Cávado”, além deste Diploma, foi distinguido também com uma Menção Honrosa pelo “Acompanhamento – Vinhos”, o Restaurante “Santo António” recebeu a Menção Honrosa “Acompanhamento - guarnição”, o Restaurante “Zé dos Leitões” a Menção Honrosa “Promoção”, o Restaurante “By Barca” a Menção Honrosa “Qualidade do Serviço”, e o Restaurante Biqueirão a Menção Honrosa “Higiene”.

Por sugestão da Comissão Gourmet e por unanimidade, foi decidido atribuir o Prémio especial revelação “Jovem Cozinheiro Profissional dos Sabores do Mar” a Maria José Lagoela, do Restaurante “Água Pé, e o Prémio especial “Carreira” a Ivete do Céu Vaz Martins (76 anos), do Restaurante “Bom Fim 2”, pela longevidade da sua carreira ao serviço da restauração.
Como forma de reconhecimento pelo historial e importância desta unidade de alojamento e pela qualidade do seu serviço, a Comissão Gourmet deliberou ainda atribuir o Prémio do Júri ao Axis Ofir Beach Resort Hotel, sendo que, por unanimidade do Júri, foi igualmente decidido distinguir a Escola Profissional de Esposende, pelos dezassete anos dedicados à formação e valorização técnica, profissional e pessoal dos jovens da região.
Relativamente ao 2.º Concurso Gastronómico do “Jovem Cozinheiro dos Sabores do Mar”, o Júri presidido pelo Chefe Silva e do qual fazem ainda parte Francisco Sampaio, da Confraria de Gastrónomos do Minho, Aníbal Soares, da Confrerie de la Chaine des Rotisseures, e o Chefe António Alexandre, decidiu atribuir o 1.º prémio a Silvana Neves, o 2.º lugar a Isabel Torres, e o 3.º a Tiago Vasco, sendo que os restantes três concorrentes, Teresa Moreira, José Mineiro e Luis Araújo, ficaram classificados em 4.º lugar ex-aequo.
Como habitualmente, foram entregues lembranças e prémios aos representantes e cozinheiros dos 15 restaurantes que integraram o concurso gastronómico, bem como um diploma de participação aos 26 restaurantes aderentes à décima primeira edição do “Março com Sabores do Mar”, tendo ainda sido presenteados com lembranças todos os parceiros da Câmara Municipal na promoção desta iniciativa, bem como os elementos do Júri.
À semelhança de edições anteriores, foi feita a entrega de um cabaz com produtos locais, no âmbito do sorteio relativo ao preenchimento dos inquéritos do “Março com Sabores do Mar”.
Em jeito de balanço, o Vereador do Turismo da Câmara Municipal referiu que esta é uma “iniciativa marcante a nível gastronómico do Norte do país”, que a Autarquia pretende “valorizar ainda mais” e que “constitui uma excelente oportunidade de negócio”para as unidades de restauração, que devem olhar para este evento como uma forma também de combater a crise. Rui Pereira, referindo-se ao Concurso Gastronómico, frisou que “não é uma disputa entre restaurantes, o que se pretende é a inovação e a criação”, regozijando-se com o facto de alguns dos pratos que estiveram a concurso ao longo das edições constarem agora das ementas dos restaurantes e dos que este ano se apresentarem a concurso terem sido dos mais comercializados.
O Vereador do Turismo aproveitou a oportunidade para exortar os empresários da restauração a apostarem nos produtos locais, desde a doçaria aos vinhos, passando pelos produtos hortícolas e lacticínios. “Temos obrigação de defender aquilo que é nosso”, afirmou.
A edição de 2011 do “Março com Sabores do Mar” está garantida, assegurou Rui Pereira adiantando que, também para o ano, a Câmara Municipal pretende lançar um outro evento gastronómico, desta feita de pratos de carne, que visa também a promoção dos produtos hortícolas da região.
Em representação da Confraria dos Gastrónomos do Minho, Manuel Albino Penteado Neiva afirmou que “Esposende é já uma referência a nível da gastronomia do mar”. Felicitou os restaurantes aderentes pela qualidade e inovação demonstradas e exortou-os a continuar a participar nesta iniciativa que ano após ano “tem melhorado imenso”.
Enquanto membro do júri do “Concurso Jovem Cozinheiro dos Sabores do Mar”, Francisco Sampaio elogiou o evento, que surgiu como um prolongamento dos Domingos Gastronómicos da então Região de Turismo do Alto Minho, enquanto promotor da cozinha de autor e da gastronomia local.
 Gabinete de Relações Públicas da CME

MENSAGENS POPULARES

Dia Nacional do Pescador



(Luís Eiras)

CANTINHO DOS LOBOS DO MAR por Carlos Barros

CANTINHO DOS LOBOS DO MAR
por Carlos Barros

A estacada….

Foi tradição em Esposende, durante longos anos, a utilização da estacada – inúmeras estacas de pinho, espetadas na areia do rio – leito - em forma de  bico, chamado fojo - abrangendo parcialmente   as duas margens do rio Cávado. A rede era presa nas referidas estacas e iam para o fundo, com apoio dos garruchos-cordas presas às estacas-.
Os paus – estacas - eram compradas ou surripiadas pelos pescadores nas bouças e eram espetadas com o auxílio de um maço de madeira. A estacada funcionava em “sociedade” entre os pescadores de Esposende e de Fão, em dias alternados e a rede só podia ser instalada ao nascer do sol e ao pôr-do-sol, tinha de ser retirada, visando a preservação da espécie – ciclóstumes - .

 Os pescadores de Fão - António Borda, Tone Lírio, Arménio, Ascánio…, com os seus barquinhos , colocavam-se  perto do “vértice”-fojo- da estacada e com os seus bicheiros apanhavam as lampreias que se aglomeravam em grande número e os pescadores de Esposende, - Cândido Curico, tio David Loureiro, Santos, João Careca, Zé “Bêbado”, Álvaro e  João  Fá, Serafim,  Guedes…-  procediam da mesma maneira. No dia dezoito de Dezembro era o início da safra da lampreia e terminava a quinze de Abril e nesse período, pescavam-se milhares de lampreias que se vendiam, à unidade ou ao quilo, na época-1960… por vinte  escudos, ou cinquenta escudos conforme a quantidade.
Nos rigores do inverno, com as enxurradas, as redes eram arrastadas e perdiam-se no rio ou no mar, causando prejuízos aos pescadores. No período da estacada era proibido aos pescadores, apanharem lampreias na barra ou no rio, com as fisgas, e tantos os pescadores de Fão, como os de Esposende, mantinha vigilância na barra para impedir que alguém transgredisse, violando, deste modo, o acordo entre os pescadores das duas vilas do nosso concelho. Naturalmente, às escondidas, caçavam-se lampreias porque era muito difícil manter um controlo e vigilância absoluta e, pela “calada da noite”, as lampreias eram fisgadas e só paravam em casa dos transgressores….
O Santos, um jovem pescador astuto, foi para a barra pela tardinha, acompanhado de uns amigos também pescadores e resolveram apanhar umas lampreias,  “à socapa”  e organizaram um plano de actuação para não serem vistos. Com um bicheiro escondido, lá foram eles  para a Foz do nosso rio Cávado, num dia de nevoeiro e não se encontrava ninguém na praia,  pensavam eles!….
No dia anterior, o Milo, mais conhecido, pelo Rosas, tinha apanhado duas lampreias no cais da barra mas, por sorte, não tinha sido descoberto!
Num curto período de tempo, estes aventureiros, apanharam quatro lampreias, muito “taludas” e todos ficaram radiantes até que apareceu uma surpresa! O Tio Guedes que andava na vigilância, no meio do nevoeiro cerrado, viu aqueles “meliantes” com as lampreias e ordenou-lhes que fossem lançadas ao  rio, perante o desespero do Santos que pedia ao Senhor dos Aflitos para que o tio Guedes mudasse de ideias!...
  Caluda, meus vadios, lampreias ao rio e já, senão à “molho” pela certa, ameaçou o Tio Guedes…

As lampreias já condenadas, “viram” uma luz ao fundo do túnel já que o Tio Guedes parecia ser o patrono delas…
Muito desanimado, o Santos teve que lançar as lampreias ao rio e, uma vez libertadas, continuaram a sua “caminhada” provavelmente, a caminho da estacada mas aqui sim, poderiam ser apanhadas porque a tradição assim o permitia…
O Santos olhou para o Álvaro ”Mudo” e para o seu irmão Serafim e disse-lhes:
Ficamos com o dia estragado por causa deste tio Guedes que tem a mania que manda…
Mas quem não arrisca, não petisca, dizia o Santos para os seus amigos, pois amanhã, vamos tentar outra vez, mas só quando o tio Guedes estiver a dormir a sua  soneca lá em casa…
“Pescador de histórias”