ESPOSENDE E O SEU CONCELHO


sábado, 14 de agosto de 2010

São Luís-MA-Brasil

Palácio dos Leões - sede do Governo do Estado
Avenida Litorânea
Capitania dos Portos
Velas do Maranhão
Monumento aos PescadoresAvenida Litorânea

Fotos: Fernando Rites

MENSAGENS POPULARES

DIVULGAÇÃO


CANTINHO DOS LOBOS DO MAR por Carlos Barros

CANTINHO DOS LOBOS DO MAR
por Carlos Barros

A estacada….

Foi tradição em Esposende, durante longos anos, a utilização da estacada – inúmeras estacas de pinho, espetadas na areia do rio – leito - em forma de  bico, chamado fojo - abrangendo parcialmente   as duas margens do rio Cávado. A rede era presa nas referidas estacas e iam para o fundo, com apoio dos garruchos-cordas presas às estacas-.
Os paus – estacas - eram compradas ou surripiadas pelos pescadores nas bouças e eram espetadas com o auxílio de um maço de madeira. A estacada funcionava em “sociedade” entre os pescadores de Esposende e de Fão, em dias alternados e a rede só podia ser instalada ao nascer do sol e ao pôr-do-sol, tinha de ser retirada, visando a preservação da espécie – ciclóstumes - .

 Os pescadores de Fão - António Borda, Tone Lírio, Arménio, Ascánio…, com os seus barquinhos , colocavam-se  perto do “vértice”-fojo- da estacada e com os seus bicheiros apanhavam as lampreias que se aglomeravam em grande número e os pescadores de Esposende, - Cândido Curico, tio David Loureiro, Santos, João Careca, Zé “Bêbado”, Álvaro e  João  Fá, Serafim,  Guedes…-  procediam da mesma maneira. No dia dezoito de Dezembro era o início da safra da lampreia e terminava a quinze de Abril e nesse período, pescavam-se milhares de lampreias que se vendiam, à unidade ou ao quilo, na época-1960… por vinte  escudos, ou cinquenta escudos conforme a quantidade.
Nos rigores do inverno, com as enxurradas, as redes eram arrastadas e perdiam-se no rio ou no mar, causando prejuízos aos pescadores. No período da estacada era proibido aos pescadores, apanharem lampreias na barra ou no rio, com as fisgas, e tantos os pescadores de Fão, como os de Esposende, mantinha vigilância na barra para impedir que alguém transgredisse, violando, deste modo, o acordo entre os pescadores das duas vilas do nosso concelho. Naturalmente, às escondidas, caçavam-se lampreias porque era muito difícil manter um controlo e vigilância absoluta e, pela “calada da noite”, as lampreias eram fisgadas e só paravam em casa dos transgressores….
O Santos, um jovem pescador astuto, foi para a barra pela tardinha, acompanhado de uns amigos também pescadores e resolveram apanhar umas lampreias,  “à socapa”  e organizaram um plano de actuação para não serem vistos. Com um bicheiro escondido, lá foram eles  para a Foz do nosso rio Cávado, num dia de nevoeiro e não se encontrava ninguém na praia,  pensavam eles!….
No dia anterior, o Milo, mais conhecido, pelo Rosas, tinha apanhado duas lampreias no cais da barra mas, por sorte, não tinha sido descoberto!
Num curto período de tempo, estes aventureiros, apanharam quatro lampreias, muito “taludas” e todos ficaram radiantes até que apareceu uma surpresa! O Tio Guedes que andava na vigilância, no meio do nevoeiro cerrado, viu aqueles “meliantes” com as lampreias e ordenou-lhes que fossem lançadas ao  rio, perante o desespero do Santos que pedia ao Senhor dos Aflitos para que o tio Guedes mudasse de ideias!...
  Caluda, meus vadios, lampreias ao rio e já, senão à “molho” pela certa, ameaçou o Tio Guedes…

As lampreias já condenadas, “viram” uma luz ao fundo do túnel já que o Tio Guedes parecia ser o patrono delas…
Muito desanimado, o Santos teve que lançar as lampreias ao rio e, uma vez libertadas, continuaram a sua “caminhada” provavelmente, a caminho da estacada mas aqui sim, poderiam ser apanhadas porque a tradição assim o permitia…
O Santos olhou para o Álvaro ”Mudo” e para o seu irmão Serafim e disse-lhes:
Ficamos com o dia estragado por causa deste tio Guedes que tem a mania que manda…
Mas quem não arrisca, não petisca, dizia o Santos para os seus amigos, pois amanhã, vamos tentar outra vez, mas só quando o tio Guedes estiver a dormir a sua  soneca lá em casa…
“Pescador de histórias”